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Orçamento

HCFMUSP NA LINHA DE FRENTE CONTRA A COVID-19

A batalha contra o novo coronavírus vem encontrando no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) um de seus mais fortes aliados. Desde o início da pandemia, a instituição transformou por completo sua estrutura para ser o centro com maior número de leitos e UTIs do país voltados aos casos mais graves da Covid-19, sem deixar de lado o atendimento aos pacientes com outras doenças.

Desde o mês de janeiro, quando o vírus já era uma realidade em países como Itália e China, o HCFMUSP já havia ativado seu plano de contingência para desastres, elaborado em 2012 e que prevê, entre outras iniciativas, a formação de um comitê de crise. Esse grupo, liderado pela Dra. Beatriz Perondi, foi dividido em três braços. “O braço logístico responde pela organização de todos os insumos e suprimentos, enquanto o de planejamento já estabelece os próximos passos a partir da análise dos números de evolução da Covid-19. Por fim, a área financeira atua para facilitar o acesso a recursos tão necessários nesse cenário, o que contou com um apoio inestimável da superintendência”, explica.

Uma das primeiras estratégias foi a adequação do número de leitos de UTI. Dos 84 existentes, o volume foi ampliado para 100, depois para 200, até chegar a 300 – de acordo com o avanço da doença e conforme entendimentos mantidos com o Governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo. O centro cirúrgico e algumas salas de enfermaria foram adaptados também para essa operação de emergência. Outro cuidado envolveu os 460 pacientes internados no início da pandemia por conta de outras enfermidades. Enquanto alguns puderam receber alta médica, enquanto outros foram distribuídos entre os demais institutos do complexo.

Outra medida adotada foi a implementação de enfermarias especializadas para garantir um cuidado mais individualizado a públicos específicos, como gestantes e pessoas com problemas psiquiátricos.

Apoio e treinamento às equipes

A mobilização dos mais de 5 mil funcionários e colaboradores do HCFMUSP também tem sido determinante para enfrentar esse momento. “Cada um dos institutos precisou acolher um profissional de especialidade para assegurar o pleno atendimento aos pacientes. Foi necessário ainda um programa intensivo de treinamentos com todos os médicos, pois muitos deles tiveram de ser alocados para atuar fora de sua área”, comenta a Profa. Dra. Eloisa Silva Dutra de Oliveira Bonfá, diretora clínica. Equipes mistas e com multiespecialidades foram constituídas para o tratamento dos pacientes, com o amparo de times de suporte para tarefas como entubação e introdução de acessos venosos.

A instituição ainda intensificou o zelo com os profissionais, transformando áreas administrativas, salas de professores e de pós-graduação em espaços de conforto e relaxamento. Também foi ampliado o suporte psicológico às equipes, incluindo conversas e mensagens de apoio. “Essa é uma ação essencial para conviver com uma nova e difícil rotina. São 40 novos pacientes todos os dias, para cada 17 que são liberados para casa. Cerca de 80% pacientes infectados necessitam de ventilação mecânica, mais que o dobro da média do hospital, e a exigência de diálise aumentou em igual proporção”, avalia Profa Dra. Eloisa.

Comunicação e tecnologia

O distanciamento social torna ainda mais angustiante o cotidiano dos familiares dos pacientes. Para viabilizar uma interação diária com cada família, foi escalado um médico supervisor, chamado de diarista. Mas a comunicação passou a ser muito mais ampla e diversificada, com auxílio precioso da tecnologia.

Quem estiver em melhores condições clínicas, por exemplo, pode utilizar um tablet para manter contato com seus parentes. Em alguns casos, quem exerce o papel de conduzir o equipamento até os leitos é um inovador robô com iPad acoplado. O familiar ainda pode assistir à alta ao vivo, por meio de um computador. “Procuramos pensar em todos os detalhes para garantir estrutura e atendimento de excelência a todos os envolvidos na saúde de um paciente”, conclui a Dra. Beatriz Perondi.

Instituição fortalecida

Para o superintendente do HCFMUSP, Eng. Antônio José Rodrigues Pereira, a instituição está fortalecida graças ao planejamento minucioso e de longo prazo. “No dia 5 de março, só tínhamos três casos no Brasil. E no dia 11 do mesmo mês, a Organização Mundial da Saúde (OMS) posicionou a Covid-19 como uma pandemia. Mas já em janeiro, estávamos com as ações estruturadas para enfrentar esse momento. Em nossa área de atuação, temos de conviver com as crises”, enfatiza.

Pereira considera que, no histórico da instituição, nada se compara à operação montada contra o novo coronavírus. “Os pacientes têm muitas variáveis e os profissionais precisaram também lidar com o desconhecimento sobre a pandemia. Mas com o empenho da equipe, o respaldo governamental e o engajamento da sociedade civil, conseguimos criar uma rotina capaz de olhar para todos os públicos envolvidos com a mesma atenção”, pontua.

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